Projeto que veda propaganda e patrocínio de bets avança no Senado e pode impactar o mercado de apostas

✍️ Por | Publicado em 08/02/2026 | Atualizado em 08/02/2026

Um projeto de lei que propõe a proibição da propaganda e do patrocínio de apostas esportivas e jogos online, conhecidas como bets, avançou no Senado Federal nesta semana. A proposta foi aprovada na Comissão de Ciência e Tecnologia (CCT) e agora segue para análise da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), antes de eventual votação no Plenário.

O texto altera pontos centrais da Lei das Apostas Esportivas (Lei 14.790/2023) e tem como objetivo restringir a exposição massiva de marcas de apostas em meios de comunicação, eventos esportivos e plataformas digitais.

O que o projeto prevê

De acordo com a proposta aprovada na comissão, ficariam proibidas diversas formas de divulgação de apostas no Brasil, incluindo:

O projeto também estabelece multas que podem variar de R$ 5 mil a R$ 10 milhões, além da possibilidade de suspensão ou cassação da autorização de funcionamento das empresas que descumprirem as regras.

Proibição de apostas em eleições

Outro ponto relevante do texto é a vedação de apostas envolvendo resultados de eleições, plebiscitos e referendos. A medida altera a legislação eleitoral brasileira e prevê sanções específicas para operadores que ofertarem esse tipo de mercado, com multas que podem chegar a R$ 500 mil.

Justificativas e críticas ao projeto

Parlamentares favoráveis à proposta argumentam que a publicidade intensa das bets pode causar impactos negativos na saúde financeira das famílias brasileiras, especialmente entre jovens e pessoas em situação de vulnerabilidade. Dados sobre endividamento e o crescimento acelerado do setor foram citados durante a discussão na comissão.

Por outro lado, representantes do setor de apostas regulamentadas alertam que uma proibição ampla da publicidade pode fortalecer o mercado ilegal, dificultando a diferenciação entre operadores autorizados e plataformas clandestinas que não seguem regras de proteção ao consumidor.

Sites de ranking e indique e ganhe ganham mais relevância

Caso o projeto avance e a proibição da publicidade seja confirmada, especialistas apontam que sites de ranking, comparativos e programas de indique e ganhe devem ganhar ainda mais importância no mercado brasileiro. Sem anúncios diretos, muitos jogadores tendem a buscar informações de forma ativa em portais especializados.

Nesse cenário, páginas que listam casas de apostas com depósito mínimo de 1 real e conteúdos educativos sobre plataformas licenciadas passam a exercer um papel central na decisão do usuário.

Além disso, modelos alternativos de aquisição, como programas de indique e ganhe em casas de apostas, tendem a se fortalecer, já que dependem mais da recomendação direta entre usuários do que de campanhas publicitárias tradicionais.

Próximos passos no Congresso

Após a análise na Comissão de Constituição e Justiça, o projeto poderá seguir para votação no Plenário do Senado. Se aprovado, ainda precisará passar pela Câmara dos Deputados antes de uma eventual sanção presidencial.

Até lá, o mercado de apostas acompanha atentamente a tramitação, já que a proposta pode representar uma das maiores mudanças no ambiente regulatório do setor desde a legalização das apostas esportivas no Brasil.

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